sábado, 3 de setembro de 2011

finge, Dona Geórgia, finge!

Dona Geórgia, volte aqui, Dona Geórgia.

Ria que se acabava e não voltava.
Batia palmas enquanto gritava e se cambaleava num bailar pelos corredores daquele hospital, queria se sentir bem.
Beijou a moça da recepção, tropeçou em uma criança e caiu no chão.
Fez-se o silêncio, médicos se aproximaram..
Demorou-se poucos segundos e novamente ouviram o som daquela gargalhada curiosa.
Dona Geórgia não estava bem, Dona Geórgia queria fingir.
Não demorou muito tempo até que ela desmaiasse,
fosse levada em uma maca,
novamente sedada,
sem gargalhada,
sem fingimento,

sem Dona Geórgia.


feia

por enquanto
enquanto eu for
enquanto eu não puder

posso querer mais do que
enquanto isso
você se vê cercado

enquanto

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

treze de novembro de dois mil e dez anos atrás

vai ao sol, não te encontras mais lá..
faça vir aos seus pés,

(FAÇA VENTAR.)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

I wanna hold your hand,

nesse transtorno imediato que resiste em te privar de tudo, te privar de tudo por um único motivo. pois então eu cubro seus olhos, te faço sonhar, te ignoro do mundo e estabeleço um único laço, uma única paixão. frenética. esquecer de tudo pelo meu capricho, que honra a sua. poupe-se mais dos outros, tenha apenas a mim. (me ame como eu não te amo, como eu te desejo a morte)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

banheiro

entre quatro paredes a desenvoltura humana sempre pede mais.
o (olho) olhar fala e o corpo grita mais. mãos limpas,
pele rude e asquerosa: e o desejo cala.
Nojo. Áspero,









longe.

algemas de gelo

preso preso preso preso
preso a uma imagem de representação óbvia e putrefata, ordinária e isolada, infame e que arde.

óbvio, pequeno menino
mas é claro, pequeno menino
certamente, pequeno menino
sim, pequeno menino

soa como merda
como a carcaça
que pinga cacos
de
uma
mente vazia vazia e medrosa
poderosa e
teimosa. óbvio, pequeno preso menino preso

domingo, 28 de agosto de 2011

bem pouco

Então agora - sem pressa - me mata.
Me mata aos poucos como seu último dever.

(antes de me espanque, me arrebente, me quebre, me morda, me maltrate)

cada vértebra, cada pedaço de carne, cada lágrima, cada gota de sangue. tudo ao chão.